segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Dois Dias Após Ser Liberado da Cadeia, Rafael-Pastel Volta a Ser Preso Novamente por Furto


Depois de Passar 62 dias preso na cadeia pública de Tocantinópolis por força de um mandado de prisão preventiva, o meliante Rafael Leandro da Silva, mais conhecido no sub mundo do crime pela alcunha de "Pastel", volta a ser preso pela PM.

imagem do site www.tocnoticias.com.brJá está mais que provado que cadeia não vai servir como punição para o infrator Rafael Leandro, ou simplesmente "Pastel", conhecido em Tocantinópolis por praticar vários furtos, dentre suas práticas preferidas está o de arrombar comércios para roubar.
Muitos pensam que o problema do jovem infrator seja psicológico, mas há outros que garantem que o problema seja o pouco tempo que Rafael fica preso quando comete seus delitos.
Rafael tinha sido preso na data de 12 de Outubro deste ano, por força de um mandado judicial, e depois de 62 dias enjaulado, ele saiu na ultima quinta feira (12), e como na vez anterior, cuidou logo em praticar crimes, e no ultimo feito nesse curto período de dois dias, furtou uma mulher de nome Jacirene Pereira de Araújo, moradora do Bairro Alto da Boa Vista I, que depois de ser roubada por Rafael, a vítima acionou a polícia militar que conseguiu prender o acusado poucas horas depois de ter furtado no início da madrugada deste Sábado (14). Leandro foi encaminhado para a delegacia regional de Tocantinópolis, e após os procedimentos cabíveis, foi novamente levado para a cadeia pública onde vai aguardar encarcerado, qual vai ser o seu destino.

Fonte: Roberlan Cokim/Redação do Tocnoticias

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Vereador quer “Deus seja louvado” em placas inaugurais de Curitiba. argumenta o vereador. “Temos que louvar Seu nome porque Ele é grande”, acrescenta.

Vereador quer "Deus seja louvado" em placas inaugurais


Segundo proposta do vereador José Carlos Chicarelli (PSDC), no dia 28 de outubro, a expressão “Deus seja louvado” poderá ser vista em todas as placas inaugurais de obras públicas de Curitiba.
A iniciativa precisa passar ainda pela avaliação das comissões permanentes. Se aprovada pelos vereadores em plenário e sancionada pelo prefeito, a norma entrará em vigor 90 dias após a publicação no Diário Oficial do Município.
Atualmente os itens obrigatórios incluem o brasão do município; a expressão Prefeitura Municipal de Curitiba; o nome da obra e a denominação, além da data da inauguração; o nome do prefeito e do vice.
Para justificar a proposta, Chicarelli cita os dados do IBGE em 2010, onde 93% da população de Curitiba afirmava ser religioso.
“Ao gravarmos ‘Deus seja Louvado’ nas obras, estaremos exaltando e evidenciando ainda mais o altíssimo pelo momento em que vivemos e o trabalho que nos é abençoado”, argumenta o vereador. “Temos que louvar Seu nome porque Ele é grande”, acrescenta.
A ideia é polêmica e está sendo criticada pelos que defendem o Estado laico. Iniciativas de ateus na internet ofendem o vereador. Com informações Gazeta do Povo

Cristãs são demitidas por recusarem chamar aluna de “menino”. Caso se tornou símbolo da luta pela liberdade religiosa

por Jarbas Aragão
Cristãs demitidas por não chamar aluna de "menino"


Duas professoras de uma creche na cidade de Katy, Texas, foram demitidas no início do mês por se recusarem a chamar de ‘menino’ uma aluna de seis anos de idade.
Madeline Kirksey e sua colega Akesha Bogany Wyatt entraram na justiça contra o Centro de Aprendizagem Infantil Lighthouse, alegando que sua demissão foi por motivos religiosos.
Segundo ambas, a direção da escola as demitiu por que elas não aceitaram a “imposição da agenda transgênero”. Katy é uma pequena cidade na periferia de Houston, onde a prefeita Annise Parker, que é lésbica, tem atacado abertamente as igrejas.
Kirksey acredita que seus direitos a liberdade religiosa foram violados e quer o emprego de volta. Elas contrataram como advogados Andy Taylor e Briscoe Cain, que já defendem outros casos de discriminação religiosa.
Recentemente, Taylor derrotou a prefeitura de Houston na batalha legal relacionada a uma lei que possibilitava aos transgêneros escolher qual banheiro público preferiria. Durante o longo processo, vários pastores da cidade, que lutavam contra essa lei foram obrigados a submeter seus sermões a um juiz, sob alegação que estavam pregando homofobia.
Os cristãos se mobilizaram e como resultado, o governador Greg Abbott assinou a lei 2065, conhecida como “Lei de proteção ao Pastor”, a qual assegura aos ministros o direito de não celebrarem cerimônias de casamento homossexual nas igrejas pelas quais são responsáveis.
O caso das professoras cristãs está gerando uma nova onda de protestos no Texas. Tudo começou quando um casal gay, responsável por um dos alunos, pediu que as funcionárias da escola chamassem a sua filha de “menino”. Além de trocarem o nome da criança, cortaram seu cabelo e a vestiam como um menino.
Contudo, as professoras dizem que a criança já frequentava a escola por quatro meses antes que seu pais decidissem que ela mudaria de ‘gênero’. Contam ainda que a menina alternava seu comportamento, em alguns dias afirmava ser menina e em outros, menino. Quando procuraram a direção da escola, receberam um documento que as ‘ensinava’ como lidar com alunos trangêneros.
Quando elas se recusaram, alegando que isso contrariava seus princípios religiosos, e que isso era uma forma de ‘abuso infantil’, foram demitidas. O caso da menina estaria criando problemas na escola, que tem cerca de 100 alunos, pois ela estava sendo ‘exposta ao ridículo’, afirma o processo.
A professora Wyatt afirmou: “Ser ou não ser uma menina ou um menino não é um assunto adequado para as crianças discutirem nessa idade. Como cristã e mãe de uma criança que frequenta a mesma escola, não queria expor meu filho nem as outras crianças a este assunto. Os pais dos demais tinham o direito de saber o que estava acontecendo “.
O advogado Andy Taylor disse à imprensa que “Novamente a insistência das comunidades LGBT na criação de direitos especiais para um pequeno grupo de pessoas está atropelamento as liberdades civis dos demais.” Com informações CBN

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Em Tocantinópolis, Criança Indígena Perde um Olho Por Falta de Atendimento

            A pequena Luciana Cavalcante Laranja Apinajé de apenas um ano e quatro meses, moradora da aldeia Chapadinha, foi diagnosticada com Ulcera de Córnia e sem um tratamento adequado perdeu um olho.
Foto Arquivo da FamiliaVivendo na penúria, uma mãe indígena está angustiada com a situação da filha que após 120 dias aguardando um tratamento para a criança que infelizmente já perdeu um olho direito após o mesmo estufar por causa da doença diagnosticada como uma ulcera de córnia, não sabe o que fazer para tratar sua caçula.
A mãe, Jacirene Laranja Pereira Apinajé de apenas 20 anos, que mesmo com pouca idade tem outros dois filhos, contou que os sintomas apareceram a cerca de 120 dias, e que a mesma procurou o hospital municipal José Sabóia e como lhes disseram que aqui não teria tratamento para o problema da pequena indígena, encaminharam mãe e filha para Araguaína, e que lá, foram literalmente despachadas para Palmas (TO), ou Goiânia (GO).
Foto Arquivo da FamiliaSem ter a mínima condição de fazer um tratamento particular, as duas tiveram de retornar para Tocantinópolis isto na data de 13 de Julho deste ano e que no Polo Base indígena local, mandaram que a mãe retornasse para a aldeia onde a mesma mora e que deixasse a bolsa pronta pois a qualquer momento um veículo poderia chegar para buscar as duas para levá-las para a realização do tratamento da pequena Luciana.
Com o passar dos dias o olho foi estufando até que com exatos quatro meses depois da mãe procurar atendimento e ficar aguardando o veiculo chegar, o olho da pequena Luciana estourou.
Depois da mãe comunicar o acontecido Luciana foi encaminhada novamente para o Hospital Municipal José Sabóia, onde foi medicada e depois de ficar internada por 24 horas, a mesma teve alta e já retornou para sua casa na aldeia chapadinha, sem ter nenhuma esperança de realização de exames, já que há o temor da doença também afetar o outro olho.
Um caso como este que torcemos para que fique apenas na perda da visão do olho direito da pequena indígena, não é um caso único, muitos são os relatos de mortes de recém nascidos dentre os apinajés, inclusive durante a visita de nossa equipe ao hospital municipal para conversar com a mãe da ultima vítima de negligência, encontramos um outro casal de indígenas com sua bebê recém nascida internada com pneumonia, reclamando da comida fornecida e o que é pior, é que mesmo se pessoas se solidarizassem e doassem frutas para o casal, essas não poderiam ser entregues por regra do hospital municipal.
Todos os dias nós vemos o atendimento dado aos apinajés, que em sua maioria desprovidos de uma boa educação, são transportados em verdadeiros paus de araras quando vem para a cidade ou voltam para suas aldeias. Já tivemos casos de mortes em acidentes nesses mesmos veículos sem que nenhuma autoridade local tome alguma providência. Não se sabe o porquê que nem a Polícia Militar que faz um ótimo trabalho ostensivo em Tocantinópolis, toma uma atitude quanto ao transportes desses seres humanos tratados com desprezo, já que a grande maioria é obrigada a comprar em apenas um, dois ou três comércios locais, pois seus cartões de benefícios, sejam eles do bolsa família, ou de aposentadoria ficam nas mãos dos comerciantes como garantia para poder vender, e repito, ninguém faz nada para mudar essa situação.
imagem do site www.tocnoticias.com.brNo caso da pequena Luciana o que se percebe é uma grande falta de vontade por parte dos funcionários do tal Polo Base, que não fizeram o seu trabalho como deveriam, pois de acordo o encaminhamento feito pela oftalmologista essa criança deveria ter sido levada pra um grande centro para evitar a perda do olho, o que agora é tardio. Não estamos acusando esses funcionários responsáveis pelo caso de Luciana de não trabalharem, mas no mínimo não estão realizando seu trabalho como deveriam, e o pior de tudo é que vão receber seus salários do mesmo jeito, enquanto a criança perdeu um olho.
O prefeito fanfarrão também não está nem um pouco preocupado com os problemas do município, já que suas preocupações estão mais para as bandas de suas terras que a cada dia que passa aumentam os hectares, nesse caso vale a máxima popular que diz: "O olho do dono é que engorda o gado", e enquanto os gados do prefeito engordam e aumentam, os tocantinopolinos estão perdendo os olhos.
Veja abaixo, cópia do encaminhamento datado de 13 de Julho de 2015:
clique para ampliar

Fonte: Roberlan Cokim/ Redação do Tocnoticias

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Clinica Ponto Pet de Tocantinópolis Realizará Nesta Quarta (28), Exames Gratuitos Preventivo de Câncer em Cães e Gatos. Confira

Assim como as mulheres, as cadelas e gatas também são afetadas pelo câncer de mama, dessa forma é necessário fazer exame para a prevenção de doença.

foto divulgação Ponto PetiDeste modo, a Ponto Pet  Clínica Veterinária está realizando o OUTUBRO ROSA PET, e no dia 28 de Outubro de 2015, das 8:00 as 18:00 a clinica estará fazendo exame de prevenção do câncer de mama GRATUITO e informando os proprietários sobre a enfermidade.
Aproveite essa ótima oportunidade e leve sua cadela ou gatinha para realização da campanha, além do exame seu pet vai participar de sorteio de brindes.
A Clinica Veterinária Ponto Pet fica localizada na Travessa Ouro com Prata próximo a antiga danceteria overdose, caso queiram mais informações, o telefone de contato é (63) 3471-4162(63) 3471-4162.

Fonte: Roberlan Cokim/ Redação do Tocnoticias

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A História da Família que 44 Anos Depois Conseguiu Enterrar o Corpo do Líder Camponês Epaminondas em Porto Franco (MA). Entenda

Após 44 anos de luta, Epaminondas conseguiu corrigir a causa da morte na certidão de óbito do avô, líder camponês que enfrentou a ditadura militar no Brasil. Uma história incrível e inspiradora.

Foto do Site Observador.ptNa Grécia Antiga viveu um general incorruptível que liderou a revolta de Tebas contra a subjugação ao exército de Esparta. Chamava-se Epaminondas e, num elogio à sua bravura, Cícero chamou-lhe “o primeiro Homem da Grécia”. Em 1902 nasceria no Brasil um outro Epaminondas. Um homem que se tornaria um dos líderes locais da resistência campesina no estado do Maranhão contra a ditadura militar que dominou o Brasil ao longo de duas décadas, até 1985. Em 1971, Epaminondas foi capturado e morreu alguns dias depois, na prisão. Causa da morte oficial? “Anemia”. Após uma luta de várias décadas, porém, o seu neto – batizado com o mesmo nome do avô – conseguiu corrigir a certidão de óbito para que nesta se passasse a ler “tortura por espancamento e choques elétricos“.
Esta é a história de Epaminondas avô e de Epaminondas neto. Em finais de 2013, casualmente, o Observador conheceu o neto, hoje com 53 anos de idade, quando o brasileiro estava a passar alguns dias em Lisboa para se encontrar com Alípio de Freitas, padre português que passou longos anos no Brasil e que é uma figura bem conhecida da esquerda portuguesa. Alípio de Freitas conhecia o avô de Epaminondas e penou, ao seu lado, na assistência aos povos do sul do Maranhão, enfrentando a ditadura militar e os poderes feudais.
Em 2013, o neto – cuja família nunca quis uma indenização nem, sequer, um pedido de desculpas – estava prestes a conseguir a sua primeira vitória: encontrar e exumar o corpo do avô e dar-lhe um enterro decente na sua terra natal: Porto Franco, no Maranhão. Mas essa foi apenas a primeira batalha de Epaminondas e da sua família – a maior vitória chegou só esta semana, 44 anos e dois meses após a morte do avô.
“Quando o meu avô faleceu, eu tinha nove anos de idade. Não entendia porque o meu avô fora morto e nós não velámos nem sepultámos o nosso ente querido como todos os outros mortos. Os meus pais pediam que não falássemos no assunto com ninguém. Na escola éramos rotulados de netos de terrorista, de comunista, sofríamos todo o tipo de preconceitos e, com o passar do tempo, tomei a decisão de encontrar e buscar esclarecer esta história que tanto nos maltratava“.
O neto Epaminondas tornou-se inspetor policial e, em conversa telefónica com o Observador, explica que seguiu essa carreira porque queria, “em paralelo com o trabalho para o Estado, trabalhar nesta busca” para apurar as circunstâncias reais da morte do seu avô. Em jovem, foi para São Luís do Maranhão para a Polícia Civil e transferiu-se, assim que foi possível, para a Polícia Técnica, onde adquiriu conhecimentos ligados à exumação e à perícia médico-legal.
Já tinha começado a “busca paralela” do então jovem Epaminondas, uma busca da qual ele não falava com ninguém – “nem com o meu pai nem com a minha mãe”“De seguida, pedi transferência para a minha cidade – Porto Franco – e passei a entrevistar pessoas do tempo do meu avô, que tinham sido presas com ele no período da ditadura. Obtive vários documentos que o exército não apreendeu”, conta o investigador. Todo esse material, reunido ao longo de anos, viria a ser muito útil mais tarde. Muito mais tarde.
“Coma anêmico por desnutrição anêmica”
Foto Arquivo da FamiliaO avô, Epaminondas Gomes de Oliveira, pertencia ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e foi capturado no estado vizinho do Pará pelo Pelotão de Investigações Criminais (PIC), que logo o levou para Brasília. Terá sido em inícios de agosto de 1971. Ninguém sabe a data ao certo, porque Epaminondas foi, inicialmente, dado como desaparecido.
O que se sabe é que no dia 20 do mesmo mês, Epaminondas morreu e a família foi informada pelo Exército de que a causa da morte fora um “coma anêmico” relacionado com uma “desnutrição anêmica“,um tipo de maleita que não se ganha numa dúzia de dias. Foi essa a causa da morte que ficou registrada na certidão de óbito mas “o meu avô não tinha anemia, ele trabalhava muito, não fumava, não bebia, tinha bom porte físico e saúde ótima”, garante o neto, ao Observador.
“O meu avô não usava armas. Estudava muito e não tinha medo de denunciar o que via e as atrocidades cometidas pelo governo da época”, garante Epaminondas. A ditadura militar brasileira perseguiu milhares de pessoas suspeitas de pertencerem ao Partido Comunista ou de discordarem com o regime. A própria Presidenta Dilma Rousseff esteve presa e, também por isso, patrocinou a criação em 2011 da Comissão Nacional da Verdade, um organismo que procura esclarecer os crimes contra a Humanidade praticados pelo regime militar.
Foi nessa altura que todo o material recolhido por Epaminondas, desde jovem, foi útil – quando recebeu um telefonema da Comissão Nacional da Verdade “para falar sobre Epaminondas Gomes de Oliveira”. Foi aí que o processo avançou e em breve se saberia mais sobre o que aconteceu ao antigo líder comunista. Um homem que atraiu ainda mais atenções quando, a certa altura, ajudou a levar um médico independente para a sua terra natal.“Esse médico tinha a alcunha de Juca“, recorda Epaminondas, que diz que isso foi algo visto como uma “afronta aos poderes dos senhores feudais, que facilitavam cuidados de saúde a troco de votos das pessoas e de submissão ao seu poder”.
O telefonema da Comissão foi uma bênção para Epaminondas, que havia várias décadas tinha um objetivo simples mas que significa tudo: corrigir na certidão de óbito do avô a causa da morte, a tal onde se lia que Epaminondas – avô – tinha morrido com uma “anemia”. Era só isso.
“A Cadeira do Dragão”
imagem da internetA primeira batalha do neto Epaminondas foi, em conjunto com a família, encontrar onde o corpo estava enterrado em Brasília – capital federal para onde o avô foi transportado porque se recusava a dar informações ao regime e porque gritava ‘ninguém muda os meus ideais’ enquanto estava sentado na Cadeira do Dragão, conta o neto.
“Você sabe o que é a Cadeira do Dragão?”, pergunta Epaminondas ao Observador. “Eles colocam a pessoa amarrada a uma cadeira de ferro. Aí eles dão choque elétrico na cadeira de ferro e a pessoa leva a carga elétrica por inteiro, no corpo inteiro”.
Durante dez dias, Epaminondas terá sido torturado, eletrocutado e espancado. Acabou por morrer e foi enterrado, nunca entregue à família. “Diziam que só cinco anos depois poderiam entregar o corpo mas isso não aconteceu. Houve uma nova tentativa por parte da família para recuperar o corpo mas sem sucesso, eles não entregaram”.
Epaminondas e os outros caras
Foto Arquivo da FamiliaPassaram décadas e, há dois anos, “graças a um enorme trabalho de pesquisa, a família viajou até ao local onde, de acordo com os registros, o avô estaria enterrado. Foram acompanhados de outras famílias, que também procuravam os seus parentes. Várias famílias encontraram caixas vazias. Em algumas situações as ossadas de outros caras, outros presos políticos, foram substituídas por ossos de animais“, conta Epaminondas. Mas acabou por ser encontrado o local exato onde o avô estava. “Estava num cemitério muito antigo – o Campo da Esperança – e os dados oficiais que encontramos diziam que ele estava na cova 125. Mas num outro documento, um carimbo identificava que ele estava na cova 135″.
Cova número 135. Era aí que estava Epaminondas. Foram encontrados os restos mortais e feita a exumação. Vários testes em laboratório comprovaram a identidade – até as roupas foram reconhecidas por 43 testemunhas, entre as quais um antigo guarda. “Recolheu-se uma prótese dentária que foi levada para o dentista dele na época e o dentista tinha um molde, que tinha guardado aquele tempo todo”, que confirmou a expectativa da família de Epaminondas.
“Foi feito um trabalho de antropologia forense, fizeram todos os estudos científicos, foram contatadas testemunhas e não existem quaisquer dúvidas de que era ele“. Os restos mortais de Epaminondas viajaram até ao Maranhão e aí foi sepultado o antigo líder campesino, no mesmo mês da sua morte – agosto – mas de 2014, 43 anos depois.
imagem da internetO que significa um pouco de tinta num papel?
Trazido o corpo para perto da família, chegara a hora de passar à segunda fase, a mais difícil mas, de certa forma, a que tinha o maior simbolismo. Epaminondas começou aí, com família e amigos, a delinear um plano para ser autorizada a alteração da causa da morte do avô na certidão de óbito. Em conversa telefônica com o Observador, Epaminondas passa vários minutos a agradecer a todos os intervenientes no processo, desde a advogada que preparou o processo (Alessandra Belfort e Silva), passando pelos promotores de Justiça (entre os quais a procuradora Ana Cláudia Cruz dos Anjos), até ao juiz que viria esta semana a decidir favoravelmente neste processo – António Donizete Aranha Baleeiro.
Eis o que escreveu o juiz na deliberação, de final de agosto, sobre este processo e sobre os relatos das testemunhas que contaram o que realmente se tinha passado nos últimos dias de Epaminondas.
“Não precisam de maiores argumentos para se ter em mente que os danos são irreparáveis, num contexto histórico de erros, abusos e equívocos. São danos que não podem ser totalmente reparados, mas há meios legais que permitem ao menos amenizar a dor. As convicções são inequívocas de que perdeu a vida em razão de maus tratos, sofridos injustamente. Não vale transcrever tanto sofrimento de uma pessoa indefesa, que mal conseguia dizer ‘não sou comunista, sou socialista’, além de gritos horríveis”.
Foto Arquivo da FamiliaFoi uma decisão inédita, suportada no que o juiz considerou serem “convicções inequívocas”. Em nenhum outro caso, para já, foi alterado o registro de uma certidão de óbito em crimes relacionados com a perseguição pela ditadura militar. Num cartório em Brasília, Epaminondas obteve esta semana a nova certidão, onde se lê: “Causa da morte: tortura por espancamento e choques elétricos na Polícia da Aeronáutica e/ou Pelotão de Investigações Criminais (PIC) na cidade de Brasília“.
Depois de 44 anos, o que significa um pouco de tinta num pedaço de papel? “Hoje, tenho a consciência do dever cumprido e todo o desfecho positivo desta luta para mim está a ser uma grande celebração, uma grande vitória da nossa família e de toda a nação brasileira”, responde Epaminondas. E continua: “ver a correção de um ato que ceifou a vida de um homem de verdade representa um grande marco, um grande avanço para esclarecer as graves violações de direitos humanos e para esclarecer a verdade sobre a causa da morte de Epaminondas Gomes de Oliveira“. E dos outros caras.

Fonte: Observador.pt

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Fim da novela: Henrique Pizzolato -Ex-Diretor de Marketing o BB volta preso para o Brasil. Confira

Condenado em 2012, petista voltou nesta sexta ao Brasil como extraditado. Ex-diretor do Banco do Brasil usou documento falso para fugir para Itália
Condenado em 2012, petista voltou nesta sexta ao Brasil como extraditado. Ex-diretor do Banco do Brasil usou documento falso para fugir para Itália
Quase três anos após ser condenado no julgamento do mensalão e pouco mais de dois após fugir, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato voltou preso nesta sexta-feira (23) ao país após um longo processo de extradição junto à Itália, país em que possui cidadania.
Durante o voo, Pizzolato assistiu a um filme e conversou com a médica que o acompanhava, segundo o repórter Pedro Vedova, da ‘Globo News’. Pizzolato foi vaiado por outros passageiros na pista, na hora do desembarque.
Condenação
Responsável pelo marketing do Banco do Brasil no início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Pizzolato foi condenado em agosto de 2012 por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. A pena total, definida posteriormente, somou 12 anos e 7 meses de prisão, a serem cumpridas inicialmente em regime fechado.
Ele foi acusado de receber R$ 326 mil do “valerioduto”, esquema montado pelo operador Marcos Valério para pagar propina a parlamentares. A denúncia também o responsabilizou por autorizar o repasse antecipado de R$ 73,85 milhões do Fundo Visanet, administrados pelo banco, para a DNA, agência de publicidade de Valério que não teria prestado os serviços.
Em sua defesa, Pizzolato negou à época ter recebido dinheiro e disse que apenas pegou um envelope lacrado com documentos que seriam encaminhados ao PT. Disse ainda que, no cargo, não tinha competência para fiscalizar contratos. Os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, no entanto, o condenaram por unanimidade.
Recursos
O julgamento do mensalão terminou somente em dezembro de 2012, quatro meses e meio após a primeira sessão. Os decretos de prisão, no entanto, não foram expedidos, para aguardar o julgamentos dos recursos apresentados em maio de 2013 pelos 25 condenados no caso.
Os recursos começaram a ser analisados em agosto de 2013 e o de Pizzolato foi rejeitado em setembro. Em outubro, o ex-diretor do BB apresentou um segundo recurso contra a condenação, também rejeitado posteriormente.
Em novembro, o então advogado de Pizzolato, Marthius Savio Cavalcanti Lobato, afirmou que o cliente não estava conformado com a iminência da prisão. “Conformado nenhum cidadão fica quando está sendo condenado injustamente. Mas ele vai cumprir”, disse à época, acrescentando que ele pretendia ficar preso no Rio, onde morava com a mulher.
Fuga
Após esgotar a análise dos últimos recursos, o STF expede os decretos de prisão em 15 de novembro de 2013. No mesmo dia, uma sexta-feira, vários condenados se entregam, mas Pizzolato não se apresenta e a defesa não é encontrada.
Sem informação sobre uma entrega espontânea, agentes de plantão deixam a sede da Polícia Federal no Rio às 20h30 em dois carros em direção ao apartamento de Pizzolato. Os policiais são convidados a entrar, mas ele não estava mais lá.
No dia seguinte, um sábado, o advogado de Pizzolaro liga para um delegado da PF e diz que ele foi para a Itália, e que não iria se entregar. A saída do país se deu de forma clandestina, já que Pizzolato havia entregue seu passaporte e estava proibido de deixar o Brasil. No mesmo dia, é divulgada uma carta em que ele informa que iria pedir um novo julgamento na Itália.
O advogado Marthius Lobato informa que abandonou a defesa do ex-diretor do BB e o nome de Henrique Pizzolato é enviado para lista dos foragidos da Interpol. Especialistas já consideravam difícil um novo julgamento pela Justiça italiana ou a extradição para o Brasil, já que a Itália costumava entregar um condenado com cidadania italiana.
Meses depois, descobriu-se que Pizzolato já planejava a fuga desde 2007, quando virou réu. Ele deixou o Brasil dois meses antes do decreto de prisão, em 12 de setembro, dirigindo 1.300 km, da cidade de Dionísio Cerqueira (SC) à capital da Argentina, Buenos Aires. No dia seguinte, pegou um voo para Barcelona, na Espanha, de onde seguiu para a Itália.
Prisão
No dia 5 de fevereiro de 2014, Pizzolato é preso pela polícia italiana na cidade de Maranello, no norte da Itália. Ele foi foi encontrado com a mulher na casa de um sobrinho, onde havia uma grande quantidade de comida estocada, e guardava 14 mil euros (R$ 45,4 mil à época).
Para se identificar, Henrique usava o passaporte de um irmão, Celso, morto em 1978, com a foto trocada. Para ocultar sua real identidade, Pizzolato também portava cerca de 10 documentos falsos de origem brasileira, italiana e espanhola. Em alguns, usava um sobrenome não muito diferente do seu, utilizando parte do sobrenome e modificando o final.
Ao ser preso, Pizzolato inicialmente negou ser quem era, mas depois confirmou a identidade ao perceber que havia sido reconhecido. Ele foi levado no mesmo dia para a prisão de Modena, ficou numa cela com outros detentos e, segundo a polícia, estava bem de saúde.
Extradição
Logo após a prisão de Pizzolato, o governo anunciou que iria tentar a extradição, a despeito de dúvidas de juristas e ministros do STF sobre a possibilidade de a Itália entregar um de seus cidadãos. A entrega dependeria de um longo processo, passando por instâncias judiciais e administrativas no país europeu — enquanto isso, ele permaneceria preso.
O pedido de extradição foi elaborado pela Procuradoria Geral da República e entregue ao Ministério da Justiça em fevereiro de 2014; coube ao Itamaraty encaminhar o caso à Itália. Com o pedido, a primeira providência do governo italiano foi questionar o Brasil se havia presídios no país que garantissem sua integridade física e moral.
A questão permearia todas as decisões posteriores e se tornou o principal argumento da defesa de Pizzolato contra a extradição. A primeira decisão judicial sobre o caso, na primeira instância, veio em outubro de 2014, quando a Corte de Apelação de Bolonha negou o pedido do governo brasileiro, sob o argumento de que Pizzolato não teve direito de recorrer a uma outra instância judicial no Brasil, após a condenação pelo STF.
No mesmo dia, após 8 meses preso, Pizzolato foi solto e afirmou que fugiu para salvar sua vida. Você não acha que salvar a vida não vale a pena?”, afirmou, em entrevista a jornalistas.
Em novembro, o Ministério Público da Itália recorreu em favor do Brasil. Em fevereiro de 2015, a Corte de Cassação de Roma, instância máxima da Justiça, aprova a extradição. No processo, o governo brasileiro apresentou em 62 páginas as condições em que ele seria tratado no Brasil. A entrega, no entanto, caberia agora de decisão do Executivo italiano.
No dia 24 de abril deste ano, o Ministério da Justiça italiano autoriza a entrega de Pizzolato para o Brasil. O órgão daria prazo de 20 dias para a busca e, no Brasil, o ex-diretor deveria ter direito a receber visita de diplomatas italianos para averiguar as condições da prisão.
O caso sofre uma nova reviravolta quando o Tribunal Administrativo Regional (TAR), uma instância administrativa, suspende a extradição, para verificar se autorização dada pelo governo levou em conta documentos não disponibilizados para a defesa. Em junho, o mesmo tribunal mantém a extradição, mas ele recorre à instância superior da Justiça administrativa.
Apesar de uma nova autorização do governo para a entrega, a Justiça italiana suspende novamente o processo. Em agosto, um cônsul italiano visita presídios em Santa Catarina para verificar as condições em que Pizzolato ficaria preso. Também foram informadas a situação do presídio da Papuda, em Brasília, para onde ele seria inicialmente encaminhado.
No dia 22 de setembro, o Conselho de Estado da Itália, última instância da justiça administrativa do país europeu decide pela extradição. A entrega é marcada para o dia 7 de outubro no aeroporto de Milão. Dois dias antes, Pizzolato faz uma última tentativa para impedir extradição, apresentando recurso à Corte Europeia de Direitos Humanos, mas o pedido é rejeitado.
A data de entrega é novamente adiada e o governo diz que o Brasil poderia levar Pizzolato até 11 de novembro. Finalmente, nesta quinta, 22 de outubro, Pizzolato deixa presídio na Itália para embarcar para o Brasil.
No país, o tempo que ficou detido na Itália será descontado da pena de 12 anos e 7 meses de prisão. Com isso, o ex-diretor do BB poderá solicitar a progressão para o regime semiaberto a partir de junho de 2016.